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condução vertical e espaçamento entre plantas

Sisal, ou outros elementos biodegradáveis alternativos como fibra de coco ou algodão, são os elementos que compõem a estrutura vertical de condução das plantas de lúpulo.

Confira nesta publicação da VAN BERGEN alguns fatores importantes para serem considerados no momento de planejamento e implantação da lavoura de lúpulo.

SISAL
Esse é o elemento responsável por conduzir verticalmente as plantas de lúpulo. A partir de cada planta, saem dois sisais, dando o formato de V, que dá nome ao tipo de condução.

O material desta condução pode ser diverso: sisal, fibra de coco, algodão. É muito comum utilizar um material que seja biodegradável, para compostar junto com as ramas colhidas de lúpulo após a colheita. No entanto, há quem use com sucesso fitilho.

É importante que esse material aguente o peso máximo da planta e tenha resistência às intempéries climáticas do período de uma safra.

Esse fio condutor é preso anualmente no alto, nos cabos secundários, com nós e na base da planta.

Há diversas ideias para prender esse fio condutor na planta: os prendedores W são amplamente utilizados nos EUA e Alemanha. Utiliza-se grampos de solo, entre outros artifícios para essa mesma função.

DISTANCIAMENTO

O distanciamento entre plantas varia de acordo com a cultivar escolhida. Cultivares de alto vigor costumam estar distantes 1 a 1,2m entre si. Cultivares de menor vigor possuem distanciamento menor de 0,8 a 1 metro entre si.

As linhas de plantio distam entre si de 3 a 4 metros. Essa entrelinha
é desejada que seja carroçável com o maquinário que será utilizado.

cabos de aço

Os cabos de aço no campo de cultivo de lúpulo têm a função de sustentar, em conjunto com os postes, a estrutura necessária para que as plantas se desenvolvam.

O cabo de aço compõe a estrutura que, em conjunto com os postes, sustentará as plantas de lúpulo durante o seu desenvolvimento. Para dimensiona-lo é necessário considerar o número de plantas da linha. Assim, estipula-se um peso máximo para o auge de uma safra com vento e chuva, analisando os vãos livres entre os postes e a tensão de ruptura da bitola dos cabos. Recomenda-se também considerar um coeficiente de segurança.

CABO DE AÇO

Por ser mais estruturado, costuma ter uma tensão de ruptura superior à da cordoalha
de mesma bitola.

No entanto, o atrito entre os cabos de aço exerce uma força cortante, que, com o passar dos anos, pode levar ao rompimento dos cabos, principalmente, em áreas de muito vento e maior movimentação dos cabos.

CORDOALHA

Material mais barato e com uma pior maleabilidade, comparada ao cabo de aço,
o que dificulta o manuseio.

Entretanto, um ponto em que se destaca é sofrer menos
com o problema do auto corte.

CABOS PRINCIPAIS

São responsáveis por ligar os postes de ancoragem ao esteio, interligar as linhas de poste transversalmente às linhas de cultivo e sustentar os outros cabos secundários, que correrão no sentido do plantio.

Em algumas implantações, são utilizados cabos de mesma bitola para todas essas funções do cabo principal. Na Alemanha, é comum até o uso de mais de um cabo principal de borda, para dividir o esforço realizado pelos cabos secundários sobre o cabo principal.

CABOS SECUNDÁRIOS

Conectados aos cabos principais, correndo paralelos à linha de plantio, estão os cabos secundários. São os cabos onde serão amarrados os fios condutores das plantas (de sisal, por exemplo). Sua bitola depende muito do comprimento da linha de plantio e da densidade das plantas (distância entre elas).

No Brasil, há experiências do uso de arames grossos para essa função, substituindo cabo de aço ou cordoalha.

PEÇAS COMPLEMENTARES

Uma série de peças complementares são utilizadas para a montagem do sistema de cabo de aço, em que se destaca:

CLIPS, devem atender às especificações da bitola do cabo de aço e serem compatíveis também com as cargas aplicadas no sistema.

ESTICADORES, devem ser escolhidos em convergência com as cargas que serão aplicadas no cabo.

ARAME também é utilizado, com a função de fazer travas no encontro dos cabos.

CATRACA faz parte do conjunto da montagem, ajudando a tensionar os cabos de aço.

postes

Saiba mais sobre sobre os postes, um dos componentes da infraestrutura necessária para cultivar lúpulo.

Diversos fatores como altura, bitola, distanciamento, disposição e materiais devem ser considerados e apresentaremos abaixo mais informações sobre as estruturas de postes utilizadas nos principais campos produtores de lúpulo no mundo.

A escolha do tamanho do poste passa pela análise das cultivares escolhidas. Existem treliças de 5 à 7 metros ( além das treliças anãs, que trabalham com alturas de 3m).

Na Alemanha, a combinação das cultivares plantadas, solo e condições climáticas faz com que a escolha seja por postes altos, de 7 m de altura. Nos EUA é mais fácil encontrar estruturas com 6 m de altura. Na Nova Zelandia , de 5 a 5,5m. Na Inglaterra, de 3 a 5 metros.

POSTES DE ANCORAGEM

ficam na extremidade desta estrutura e são responsáveis por segurar os cabos principais da estrutura são submetidos a forças estruturais mais complexas: além da força vertical do peso, possui a grande força horizontal exercida pelos cabos. precisam ser mais robustos e muitas vezes instalados de forma angular.

No Brasil, usualmente se usa postes de 6m de altura livre.

Lembrando que é necessário um bom chumbamento destes postes, com no mínimo 1,5m enterrados.

POSTES DE CAMPO
sustentam uma força um pouco mais simples, de vetor quase que exclusivamente vertical.

ESTEIO

Todo os postes de ancoragem estão ligados ao solo, também em ângulo, por um cabo de aço ao esteio.

Esse esteio pode ser de diversos materiais: De madeira, de hélice metálica, de concreto. Há necessidade também de colocar um esticador nesse cabo de aço que liga o esteio ao poste angular.

O material mais utilizado no mundo é a madeira, troncos roliços. Precisam aguentar ficar enterradas, sem apodrecimento precoce e por isso usa-se os chamados postes tratados.

Porém possuem uma desvantagem de ter um tratamento químico, representando uma possível fonte de contaminação a longo prazo.
Para contornar esse problema é possível usar madeiras nobres que aguentam a solicitação sem necessidade de tratamento químico.

Os postes de aço são bem mais caros, porém já há boas referências no mundo: vimos em campo em Kent produtores de 4ª geração trocando os postes por postes metálicos. Em visita à campos de Hallertau, conversamos com produtores de lúpulo que estavam repondo os seus postes por postes de concreto, por constatarem contaminação química na região dos postes depois de longos períodos.

DISPOSIÇÃO

Cada linha de plantio de lúpulo tem uma linha de postes de sustentação. Em um sistema comum, distancia-se de 3,5m a 4m as linhas de plantio. Dentro da linha, é possível distanciar mais, como 8 m. Essa escolha implica em um uso maior de postes, porém de diâmetro menores; sistema de cabos de aço terão bitolas menores; Esse sistema é muito utilizado nos EUA e na Inglaterra

A disposição dos postes no campo segue uma lógica cartesiana, dispostos em formato quadrangular. O distanciamento dos postes vai depender do modelo de implantação escolhido. Aqui estão duas principais linhas de pensamento. Essa escolha terá que ser feita levando em conta o preço encontrado para esses materiais na região de implantação.

A cada 4 linhas de lúpulo temos 2 linhas de postes: plantio nas linhas de poste e com 2 linhas de plantio entre postes. Nesse sistema , os postes estão comumente dispostos a 12 m um dos outros, nos dois sentidos. Essa escolha implica em menor quantidade de postes, de diâmetros maiores; e sistema de cabeamento de aço terá bitolas maiores. Esse sistema é bastante usado na Alemanha.

tipos de condução

descubra os tipos de condução, infra estrutura necessária para plantar lúpulo

O lúpulo, por ser uma planta trepadeira, depende de um sistema de suporte físico, ao qual consiga se fixar, para garantir assim, luminosidade adequada para o desenvolvimento de suas folhas e, dessa forma, alcançar todo o seu potencial de crescimento.

Aqui apresentaremos informações para ajudar você a decidir qual o melhor sistema de condução lhe atende melhor. Para isso é importante avaliar o tamanho do terreno, a topografia disponível.

Outro aspecto importante é entender as diferenças entre uma plantação para consumo próprio, para conseguir fazer algumas cervejas em casa com seu próprio lúpulo. Ou comercial, para atender uma demanda grande, de uma mercado maior ainda.

Cada demanda tem suas características, que definem cada etapa e abordagem. e definir qual será o método de manejo e colheita.

CARACTERÍSTICAS

infraestrutura mais barata e não muito tecnificada, de menor investimento.
possui uma colheita que não depende
de maquinário.

O jardim de lúpulo comercial é formado, desta forma, por uma estrutura composta por postes, cabos de aço, sisal. Todos esses elementos trabalham de maneira a sustentar o peso exercido pelas plantas de lúpulo.

CARACTERÍSTICAS

as plantas são conduzidas em estrutura de menor altura de forma horizontal, se adaptando melhor em terrenos mais inclinados. não permite a mecanização da colheita e possui uma característica de colheita seletiva, dos cones maduros.

Trata-se de um cálculo estrutural. É necessário que se faça um exercício considerando a densidade de lúpulo plantado, o peso da planta de lúpulo em seu auge, a influência do vento e da chuva no peso dessas plantas e incluindo um coeficiente de segurança.

CARACTERÍSTICAS

o desenvolvimento da planta é vertical
e exige escada ou andaimes para realizar
o manejo anual da planta. permite a mecanização da colheita, feita em unica etapa, cortando a planta na sua base e levando a rama inteira para o beneficiamento.

A partir desse cálculo, é determinado como serão dispostos os postes pelo campo e qual será a bitola mais adequada para os cabos que os ligarão. Saiba mais nas próximas publicações da Van de Bergen!

CARACTERÍSTICAS

sistema mais utilizado comercialmente,
que permite um aproveitamento melhor
do espaço e um maior desenvolvimento das plantas. é o sistema de maior investimento e que exige um dimensionamento mais técnico.

Importação do Lúpulo para o Brasil

saiba mais sobre as etapas e processos que foram necessários para introduzir uma nova cultura no país

Como grandes apreciadores de cerveja vimos a disponibilidade de novos rótulos e sabores crescerem de maneira exponencial desde 2014 no mercado nacional.

Junto ao surgimento de novas cervejarias, novos estilos de cerveja foram apresentados a nós brasileiros, que estávamos acostumados com a predominância de um único estilo (lager). Iniciou-se um processo de desenvolvimento de paladar em conjunto com o interesse em saber da composição da cerveja. Puro malte passou a ser um critério de escolha e cervejas mais aromáticas e amagas, em que o lúpulo desempenha o protagonismo, passou a conquistar cada vez mais adeptos e amantes.

Apesar de ser o 3º maior produtor de cerveja, o Brasil importa a maior parte do malte e até 2017 importava 100% do lúpulo para essa gigantesca produção.

Com essa leitura de mercado começamos a nos aprofundar nas pesquisas e intenções para esse cenário. Pelo fato do lúpulo ser uma espécie não registrada no Brasil, para iniciar o cultivo oficialmente era necessário primeiro introduzir a espécie no país de forma legal. Sendo assim, de maneira pioneira, escrevemos um projeto no MAPA para avaliar a adaptação dessa espécie no solo brasileiro.

Em abril de 2018 iniciamos o processo de importação de 9 cultivares da Alemanha, que ao chegar no Brasil, teve que ficar em quarentena no IAC (abril a maio de 2018).

Depois de aprovadas na quarentena, os passos subsequentes foram em dois sentidos: 

1- fizemos a adaptação das mudas, garantindo seu fortalecimento para se estabelecerem como nossas matrizes saudáveis, capaz de reproduzir sem problema
2- resolvemos manter em laboratório material in vitro para garantir um banco genético  

Logo após a adaptação, fizemos uma campo experimental com a perspectiva de pesquisa, para avaliar a viabilidade de produção e sua produtividade em solo brasileiro.

Com a certeza de sua adaptação resolvemos virar um viveiro para disseminar essas cultivares e outras introduzidas legalmente no Brasil.